sexta-feira, 9 de julho de 2010

FRESTA

            Em meus momentos escuros

            Em que em mim não há ninguém,

            E tudo é névoas e muros

            Quanto a vida dá ou tem,

            Se, um instante, erguendo a fronte

            De onde em mim sou aterrado,

            Vejo o longínquo horizonte

            cheio de sol posto ou nado

            Revivo, existo, começo,

            E, ainda que seja ilusão

            O exterior em que me esqueço,

            Nada mais quero nem peço.

            Entrego-lhe o coração.



                                      Fernando Pessoa

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