sexta-feira, 9 de julho de 2010

O OLHAR DAS PESSOAS...

             Quanto se tenta escrever algo sobre o que reflete o olhar bem no fundo das pessoas... corre-se o risco de que há quem seja perfeito físicamente.  Talvez seja melhor dizer assim ... seja perfeito físicamente, mas não tem coração.  Falta-lhe sensibilidade de alma para oferecer seu físico aos outros. Tem beleza, mas vive sem endereços ou conhecendo apenas o de sua própria moradia.  Tudo termina em seu corpo, bonito, mas sem vibração. Tal pessoa é perigosa, porque atraí e seduz, mas não apreendeu a arte da ternura e da felicidade e a riqueza da partilha e convivência.

             Há quem domine as ciências, é sabido, mas não é sábio. É rico de conhecimentos, mas pobre de entendimentos. Tem explicações para tudo, menos para a secura dos próprios sentimentos. É capaz de discorrer sobre rios, lagos e oceanos, mas ainda não entendeu a força e a beleza de uma lágrima, nem sabe como começar a enxugá-la, falta-lhe sentimentos, falta-lhe amor, falta-lhe compreensão.  Sabe tudo sobre a energia do sol, da água, dos átomos, mas não tem força para aplaudir um pequeno gesto, a generosidade de uma pobre mãe, que sofre com a educação e princípios que deseja dar ao seu querido filho, a dedicação de uma professora e uma confissão sincera de amor. 

             Há quem fale o tempo todo, sem dizer coisa alguma. É uma máquina cansativa de palavras. Nada conhece a fundo. Vive na rama de tudo. Passeia simplesmente pela sua superficialidade, suas palavras são guirlandas que somente servem para enfeitar seu próprio ego.  Tais pessoas, enganam-se a si próprio, carecem de um eco interior, de pouco agrado e superficial em sua maneira de proceder.

             Há aqueles que colocam seus cuidados em riquezas materiais. É pobre de espírito. Luta incessantemente para ter mais coisas, nunca se mostrando satisfeito com o muito que Deus já lhe concedeu.  Tais pessoas passam pela vida sem as desfrutar e sem as dividir.  Vejam bem, tais pessoas depois de terem vivido só para si, morrerão mais pobres do que o pior pobre, sem as lágrimas de ninguém.

              Ainda, há aqueles quem preze seus dotes acima de tudo e contra todos. Orgulhoso dos bens que a vida lhe deu, desdenha sem piedade as conquistas sempre pobres dos outros.  Também há quem pense que tem um lugar no coração dos outros apenas por beneficiá-los materialmente. Enche-os de benesses, sem nunca doar-se pessoalmente. Substitui-se por coisas mundanas, mas nunca entrega, por medo, o próprio coração.

              Há quem deseje acima de tudo ser perfeito, mas está longe da perfeição humana e verdadeira. Age sempre corretamente, obedece a todas as leis, é certinho em tudo, mas não passa de um arranjo floral artificial perfeito, mas sem vida. Estes, somente servem para enfeitar mesas, mas não tem um minímo de perfume. É bonito, elegante, mas não muda os ambientes. É, isto sim, até trocável por quaisquer raminhos de mato silvestre. Tais pessoas procuram cuidar tanto de si, que se esquecem dos outros. São por isto e por tudo que fora dito, irretocáveis, mas facilmente descartáveis neste grande Universo que a vida nos oportuniza.

             Fica uma alerta, quando nos relacionamos com tais pessoas, é preciso olhá-las bem no fundo de seus olhos. Estas não são necessariamente mentirosas, mas são, no fundo, uma mentira, falta-lhes lamentavelmente mais, falta-lhes autenticidade em tudo o que fazem e sentem na vida.



                                                         José Pedro Granero - Pelotas/RS - Brasil

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