sexta-feira, 23 de julho de 2010

ABRINDO ESPUMAS

                     Que este livro, leitor, um momento consiga
              prender o teu olhar com a nuvem que passa,
              e num momento de sonho e de ilusão te faça
              viver, e te provoque uma palavra amiga:
              repercutem em ti as emoções que eu diga,
              muito embora bem cedo o encanto se desfaça,
              - é outro prêmio não quero, esse prêmio ultrapassa
              quanta compensação mereça esta fadiga.

              A que mais aspirar? E que há mais que eu mereça?
              Passe tudo isto! Assim passam a vaga e as flores:
              nada impede que o mar ondule e o chão floresça...

              Eu não constru-o; canto... E entre todas as glórias
              basta-me a de espelhar em poemas incolores
              o perpétuo esplendor das coisas transitórias.


                                   Amadeu Amaral

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