sexta-feira, 23 de julho de 2010

VOZ ÍNTIMA

             

             Fecha-te, sofredor, na alva túnica ondiante
         Dos sonhos! E caminha, e prossegue, embebido.
         Muito embora, na dor de um fiel celebrante
         De um estranho ritual desdenhado e esquecido!
         Deixa ressoar em torno o bárbaro alarido.
         Deixa que voe o pó da terra em torno.. Adiante!
        
         Vai tu só, calmo e bom, calmo e triste, envolvido
         Nessa túnica ideal de sonhos, alvejante.
         Sê, nesta escuridão do mundo, o paradigma
         De um desolado espectro, uma sombra, um enigma,
         Perpassando sem ruído a caminho do Além.

         E só deixes na terra uma reminiscência:
         A de alguém que assistiu à luta da existência.
         Triste e só, sem fazer nenhum mal a niguém.


                              Amadeu Amaral

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