domingo, 11 de julho de 2010

NÃO QUERO ROSAS, DESDE QUE HAJA ROSAS.

            Não quero rosas, desde que haja rosas.
            Quero-as só quando não as possa haver.
            Que hei - de fazer das coisas
            Que qualquer mão pode colher?


            Não quero a noite senão quando a aurora
            A fez em ouro e azul se diluir.
            O que a minha alma ignora
            É isso que quero possuir.


            Para quê ? ... Se o soubesse, não faria
            Versos para dizer que inda o não sei.
            Tenho a alma pobre e fria...
            Ah, com que esmola a aquecerei?


                                       Fernando Pessoa
         

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