Podemos dizer que a essência (o corpo) da vida é o amor, enquanto a fé e sua natureza (a alma). Na prática do dia-a-dia não dá para viver sem esta natureza, sem o exercício da fé. A fé nos faz e define o que somos e por que acreditamos. Há uma fé religiosa que leva a pessoa a crer no transcendente, assim como há uma fé espiritual (humana), sem a qual não podemos sadiamente nos relacionar.
Com ela cremos nos outros. Por ela, pela fé, chegamos, de mansinho e com respeito, na vida das pessoas, e elas entram na nossa. Pela fé pisamos em campos que não são nossos e somos eleitos por quem acredita em nós e quer fazer conosco uma aventura: a aventura da fé, acreditando em nós e amando-nos pela admiração que a fé nos suscita.
Nossa vida tem como natureza, como jeito de ser, a fé. Enquanto o amor nos seduz, a fé nos move, ilumina o caminho e as pessoas, aponta e define a casa dos sonhos e é a força do nosso passo e busca. Seduzida, a pessoa estará sempre conquistando a pessoa amada, enquanto, na alegria e na dor da fé, estará sempre em busca de discernir melhor o rosto da conquista almejada.
O amor faz sonhar com o abraço da pessoa amada. A fé garante que esse abraço é bom e acontecerá, um dia, plenamente. Sem fé, o amor seria um desejo ao qual lhe faltaria o impulso do passo a ser dado. A fé o dá. De olhos fechados, quando a fé é absoluta; com olhos semi-abertos quando a fé ainda tem medo e se mostra indecisa.
No ato de fé, não é importante o que se sente, mas a própria fé que se tem. A fé, em si, não é um sentimento que se curte e que deleita ou faz sofrer. É verdade que prazer ou padecer acompanham o ato de crer, mas a fé é mais do que os sentimentos que possa causar. É a luz que ilumina o caminho e dá a certeza de que o caminho está e é certo.
José Pedro Granero - Pelotas/RS - Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário